O meu Natal

Três dias fechado em casa, a empanturrar-me de doces, fritos, molhos, sumos, e tudo o que é calórico, assistindo, enrolado num cobertor polar, aos filmes mais idiotas que a televisão tem para apresentar, guardados especialmente para esta época do ano. Assim foi o meu Natal.

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Tudo terrivelmente igual

Trabalho perto de casa, a minha analista fica perto de casa, o supermercado é perto de casa, o café é perto de casa. Estou farto de ter tudo perto de casa. Tenho saudades dos velhos tempos em que morava numa grande cidade e tinha de apanhar três transportes públicos para chegar ao trabalho. Nunca estamos contentes com o que temos, dir-me-ão, mas ao menos, nesse tempo, distraia as vistas durante os percursos, casa-trabalho-casa, com visões diferentes do quotidiano. Este local onde moro é demasiado igual, parecido de resto com a minha vida actual. Li algures que a vida, por vezes, pode ser um longo bocejo. A minha existência de há uns tempos a esta parte tem sido isso mesmo.  Estando decidido a dar uma sacudidela valente nisto tudo, ainda não sei, porém, para que lado hei-de guinar,  para pôr a minha vida a curvar de novo – perigosamente.

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O carro pifou?

O meu velho Citröen, com mais de 500.000 Kms, deu para emitir um estranho fumo branco pelo tubo de escape. Dizem os “entendidos” – há sempre quem tenha vontade de emitir juizos sobre tudo, mesmo sem ser expert no assunto – que é a junta da cabeça queimada. Não imagino o que isso queira dizer, mas só a expressão assusta. Com a crise instalada, não há dinheiro para comprar outro automóvel, e já me estou a imaginar a ir de bicicleta para o trabalho. Dizem que tudo tem um lado positivo e outro negativo, no entanto, ainda não consegui vislumbrar uma única nota positiva nisto tudo.

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Prendas de Natal

Ainda não comprei uma única prenda de Natal. Todos os anos sou ofertador e não recebo quase nada em troca. Se calhar, neste Natal, vou fazer uma experiência novissíma: não vou oferecer nenhum presente às pessoas a quem costumo dar sempre alguma coisa e esperar para ver o que acontece; mas já imagino o que vai a ser: elas ficam sem as minhas prendas e eu continuo sem prendas nenhumas.

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Introduza você o título aqui que eu não sei que nome lhe dar

Devo parecer o cretino mais pretensioso do planeta por me atrever a escrever estas referências, mas a verdade é que da história da minha vida recente guardo imensas  memórias amorosas. Não sei se por desvario emocional, se por pinga-amorismo, ou mera carência, o que é certo é que sempre tive, ao longo da minha vida, e em particular num passado muito recente, múltiplas namoradas.  Agora, que estou de novo com a minha mulher, só me permito ter “escapadelas”, mas durante o longo tempo em que estivemos separados, conheci, por via da Internet, dezenas de mulheres com as quais tive casos. Umas recordo com mais saudade do que outras, fosse porque me tivessem tocado mais o coração, ou porque a troca de cumplicidades tenha sido maior.

Os meus casos de amor, somente os de há três anos até ao presente, cobrem grande parte do território nacional, e podem ser contabilizados pela sua localização geográfica: com mulheres da ilha da Madeira, tive dois relacionamentos – um deles deixou-me sequelas que demorei bastante tempo a sarar; do Alentejo, mais propriamente de Grândola, conheci uma mulher mal casada, que dizia ser frígida mas gostar de fazer sexo, com quem tive um caso breve; em Lisboa, tive casos com diversas mulheres, onde se incluem uma russa belíssima e várias brasileiras; de Alverca do Ribatejo, tive uma ligação curta com uma loira esfuziante, web designer, que vim a saber ser adepta do sado-masoquismo; de Fátima, tive um affair breve com uma brasileira empregada na indústria hoteleira; no Carregado, conheci uma professora universitária, extremamente carente, que depressa me enfastiou; do Entroncamento, tive uma ligação séria com uma loira, bailarina amadora, que durou quase um ano; de Rio Maior, tive uma relação curtíssima com uma latifundiária local;  de Leiria e arredores, tive casos com mulheres diversas; de Gaia, tive uma relação curiosa com uma professora de religião e moral, que vivia atormentada pelos sentimentos de culpa. Na cidade do Porto, tive três relações breves, com duas funcionárias públicas e com uma empresária local.

Tudo isto aconteceu num tempo recorde, depois de muitos milhares de quilómetros feitos no meu antigo carro a diesel e outros tantos milhares de euros gastos em hotéis e restaurantes. Depois de tantas aventuras, deixei de perceber o que seja o amor, como se ama, ou qual a diferença entre fazer sexo e fazer amor.  Um dia, prometo, escreverei com detalhe as minhas memórias, as confissões do devasso que fui… ou que ainda sou.

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Considerações sobre o nome do blogue e outras coisas mais

1. Há quase um mês que não escrevia nada por aqui. Acho que, por momentos, até me esqueci que tinha este blogue. Tenho andado com a cabeça por outras andanças e hoje, não sei porquê, lembrei-me de vir até aqui escrevinhar.  Apetece-me começar por tecer algumas considerações sobre o facto de ter escolhido o nome  Loup Garou para baptizar o meu blogue, pois foi essa a primeira coisa que me veio à cabeça escrever neste post.

Loup Garou é o vocábulo gaulês para lobisomem que, como toda a gente sabe,  na mitologia, no folclore e nas lendas de todo o mundo, é um ser humano que tem a capacidade para se transformar parcialmente ou completamente em lobo. Eu sou assumidamente uma criatura antropomórfica, mas, ao contrário da metamorfose clássica, cambio em retroversão. Sou capaz de, sendo mais um lobo do que outra coisa qualquer, transformar-me, por alguns instantes e em dados momentos, em ser-humano. O meu ritual é voluntário, não decorre de nenhuma maldição, nem fui mordido por coisa nenhuma. Não dependo de fases da lua para operar a minha transformação, sendo que as modificações devem-se  unicamente à responsabilidade da minha vontade. Tanto quanto sei, não padeço de licantropia clínica, apesar de não enjeitar enfermar de outras doenças acolhidas no extenso catálogo das doenças mentais. Escolhi este nome devido à clivagem crónica que existe entre o que verdadeiramente somos e o que deixamos transparecer para o exterior. Sou muito mais Eu aqui do que noutra parte qualquer, simplesmente porque o que deixo escrito encontra-se muito mais perto da verdade. E a verdade, como valor raro, é objecto de uma procura incessante por todos nós. Nestas folhas, poupo-vos esse trabalho.

2. Ontem, num jantar associativo, conheci um fulano que está há mais de 3 anos de atestado médico psiquiátrico. Recusa-se obstinadamente a regressar ao serviço, viaja, entre outros destinos, pelo Brasil, e aprecia o bom convívio. Invejei-lhe a preserverança e o seu exemplo foi para mim uma fonte de inspiração. Porque não fazer, daqui a alguns anos, a mesma coisa? Afinal, quando o estímulo acaba e o respeito e reconhecimento pelo nosso trabalho é nulo, o que nos resta, sobretudo se tivermos cinquenta e muitos anos, fazer? Trabalhar até à morte, ou viver, ainda que com menos dinheiro, o último período da nossa vida com algum livre arbítrio? É uma questão de escolha pessoal, já que viver é isso mesmo: escolher.

3. Ainda nesse jantar associativo, conheci finalmente a mulher do presidente que é boazona como o milho e linda de morrer. O sujeito, que até é um homem muito bem parecido, certamente que, de tão habituado,  já nem valor dá à sorte que tem. Felizmente que “comer com os olhos” ainda é permitido, pois que, além do jantar, também a devorei. Juntamente com uma outra, um pouco mais nova, eram as únicas mulheres interessantes presentes; e essa coisa de “não desejar a mulher do próximo”, para além de cheirar a treta bíblica, tem muito poucos seguidores.

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Cogitações 10#

1. Evito os telejornais da noite. Deprimem-me. Mais de metade do noticiário ocupa-se da crise económica e das perspectivas sombrias que se auguram para o nosso país. É a mesma coisa que bombardear constantemente um doente terminal com as coisas más que o esperam no que respeita à evolução da sua doença. Como detesto novelas, talk shows, concursos, futebol, e outras coisas que agora não me lembro, restam-me sobretudo os filmes, e não todos. Prefiro de longe a Internet, pela variedade de informação, embora aceite pacificamente que a navegação internáutica vicia a valer. Ocupo-me com a leitura de blogues, revistas e jornais estrangeiros, e sites do meu agrado, mas a minha vida está a tornar-se um pouco como a televisão dos últimos tempos: rotineira. Todos nós evitamos a banalização do quotidiano, procurando alguma actividade que rompa com os comportamentos maquinais e, embora seja contraproducente, precisamos das rotinas para nos ancorarmos. E é na gestão destas duas forças contrárias que julgamos encontrar o equilíbrio.

2. Ter algum viciozinho secreto, inconfessável, apimenta o cinzentismo do quotidiano. Geralmente há sempre uma prática “radical” que carecemos para não cairmos no marasmo e darmos lustro ao rolar dos dias. Para uns é a droga, a tóxico-dependência escondida até ao limite do possível; para outros, o álcool, ou o jogo; outros, ainda, refugiam-se no sexo, nas taras, nas práticas mais sórdidas. O mais radical que existe na minha vida é a variação sexual, e nem acho que seja uma prática tão radical assim. Se querem mesmo saber, acho que quase todos os homens, e muitas mulheres também, ou são infiéis ao seu cônjuge, o já o foram; ou, pior, são completamente mentirosos quando afirmam o contrário. E isso também é um vício perigoso: o hábito da mentira.

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