Vou dizer a verdade…

Às vezes ponho-me a pensar o que seria do mundo se, fossem quais fossem as circunstâncias, dissemos sempre a verdade. Não acredito que, depois disso, houvesse esperança de sobrevivência possível para a espécie humana. Matávamos-nos uns aos outros num ápice. A verdade, entre os paramentos da ética, é talvez a coisa mais difícil de alcançar e preservar, e não consigo imaginar a sociabilidade humana sem a mentira. Todos nós mentimos, uns mais, outros menos, seja por omissão, por acção, por simulação, ou por qualquer outra forma que agora não me lembro. Há mentiras piedosas, dolosas, ou menos dolosas, mas todas, sem excepção, por mais patine que se lhes ponha em cima, são mentiras. A mentira é intrínseca à espécie humana, embora eu ache que os animais também mentem. O meu cão, por exemplo, é um dos maiores mentirosos que eu conheço. Finge-se com dores, gane, late miudinho, só para que eu lhe faça festas ou para ganhar um doce. É um pantomineiro adorável, mas não deixa de ser um grande mentiroso, o que o aproxima ainda mais do género humano, em especial da minha pessoa.

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