Considerações sobre o nome do blogue e outras coisas mais

1. Há quase um mês que não escrevia nada por aqui. Acho que, por momentos, até me esqueci que tinha este blogue. Tenho andado com a cabeça por outras andanças e hoje, não sei porquê, lembrei-me de vir até aqui escrevinhar.  Apetece-me começar por tecer algumas considerações sobre o facto de ter escolhido o nome  Loup Garou para baptizar o meu blogue, pois foi essa a primeira coisa que me veio à cabeça escrever neste post.

Loup Garou é o vocábulo gaulês para lobisomem que, como toda a gente sabe,  na mitologia, no folclore e nas lendas de todo o mundo, é um ser humano que tem a capacidade para se transformar parcialmente ou completamente em lobo. Eu sou assumidamente uma criatura antropomórfica, mas, ao contrário da metamorfose clássica, cambio em retroversão. Sou capaz de, sendo mais um lobo do que outra coisa qualquer, transformar-me, por alguns instantes e em dados momentos, em ser-humano. O meu ritual é voluntário, não decorre de nenhuma maldição, nem fui mordido por coisa nenhuma. Não dependo de fases da lua para operar a minha transformação, sendo que as modificações devem-se  unicamente à responsabilidade da minha vontade. Tanto quanto sei, não padeço de licantropia clínica, apesar de não enjeitar enfermar de outras doenças acolhidas no extenso catálogo das doenças mentais. Escolhi este nome devido à clivagem crónica que existe entre o que verdadeiramente somos e o que deixamos transparecer para o exterior. Sou muito mais Eu aqui do que noutra parte qualquer, simplesmente porque o que deixo escrito encontra-se muito mais perto da verdade. E a verdade, como valor raro, é objecto de uma procura incessante por todos nós. Nestas folhas, poupo-vos esse trabalho.

2. Ontem, num jantar associativo, conheci um fulano que está há mais de 3 anos de atestado médico psiquiátrico. Recusa-se obstinadamente a regressar ao serviço, viaja, entre outros destinos, pelo Brasil, e aprecia o bom convívio. Invejei-lhe a preserverança e o seu exemplo foi para mim uma fonte de inspiração. Porque não fazer, daqui a alguns anos, a mesma coisa? Afinal, quando o estímulo acaba e o respeito e reconhecimento pelo nosso trabalho é nulo, o que nos resta, sobretudo se tivermos cinquenta e muitos anos, fazer? Trabalhar até à morte, ou viver, ainda que com menos dinheiro, o último período da nossa vida com algum livre arbítrio? É uma questão de escolha pessoal, já que viver é isso mesmo: escolher.

3. Ainda nesse jantar associativo, conheci finalmente a mulher do presidente que é boazona como o milho e linda de morrer. O sujeito, que até é um homem muito bem parecido, certamente que, de tão habituado,  já nem valor dá à sorte que tem. Felizmente que “comer com os olhos” ainda é permitido, pois que, além do jantar, também a devorei. Juntamente com uma outra, um pouco mais nova, eram as únicas mulheres interessantes presentes; e essa coisa de “não desejar a mulher do próximo”, para além de cheirar a treta bíblica, tem muito poucos seguidores.

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